Areal - RJ
Tem dias que não são só bonitos — são certos.
Tinha sol, depois chuva, depois dois arco-íris.
O céu mudava devagar, como se estivesse sentindo tudo com a gente, abrindo e fechando no mesmo compasso do que batia aqui dentro. E o que a gente sentia era paz, era presença, era aquela certeza silenciosa de que a gente estava exatamente onde deveria estar.
Eles se amam de um jeito que acalma, mas ao mesmo tempo têm uma fé e uma força que emocionam. Estar perto deles é sentir que o amor ainda é uma coisa bonita, leve e possível, mesmo nos tempos de agora. Não é só bonito ver os dois juntos. É bonito acreditar junto com eles.
Vieram pessoas de longe, de outros estados, de outros países. Pessoas que atravessaram tempo, estrada, mar, só pra estar ali — porque sabiam da importância de viver aquele momento com eles. E quando a cerimônia começou, com o tempo ainda meio incerto e todo mundo entregue, de mãos dadas com o que estava acontecendo, parecia que tudo se ajeitou. Como se o céu entendesse que era hora de abrir. Como se Deus tivesse desenhado aquela tarde do jeito certo.
Mas o que mais me atravessou foi a forma como eles olharam pros pais.
Com respeito, com gratidão, com amor. Com palavras que não se ouve todo dia, que vêm de quem teve base, de quem aprendeu em casa como se constrói um sentimento firme.
Naquele instante, eu só conseguia pensar que o amor deles vai longe, porque foi semeado em solo bom.
Foi o nosso casamento do ano, não pela beleza, não pelo cenário, mas pela verdade.
Pelo sentimento que preenchia tudo.
Pela fé que segurava cada detalhe.
E por tudo aquilo que não dá pra explicar, só sentir.
um dia pra guardar na alma



